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CRISTIANISMO E PAGANISMO


Cesóstre Guimarães de Oliveira

Você já pensou na relação existente entre as grandes religiões do mundo? Já pensou do por que existirem tantas semelhanças entre o hinduísmo, taoísmo, zoroastrismo, budismo, confucionismo, islamismo, e outros tantos ismos, que detém características que outrora foram pensadas exclusividade do Cristianismo?
Eu pensei, e pesquisando, observei que estas semelhanças são bem mais profundas que havia imaginado. (...) várias vezes enquanto pesquisava me deparei com fatos aparentemente inexplicáveis, que alguns preferem ignorar sua existência. Os detalhes são tão sutís, que em alguns momentos quase não os percebemos, e devido a esta sutileza, os mesmos, anonimamente fazem parte de nosso dia a dia. Como por exemplo:

  1. A crença em um ser supremo;
  2. A crença na imortalidade (da alma) do homem;
  3. A crença em um plano divino que pretende orientar o homem em sua fatídica busca pela felicidade.
Existem ainda outros pontos salientes, que exigem nossa atenção, pois não podemos ignorar que as similaridades doutrinárias, ressaltam a importância que se deve dar ao progresso espiritual, que só ocorre onde existe:

  1. Força de vontade;
  2. Capacidade do ser humano em controlar suas ações e seus desejos, além da;
  3. Autodisciplina.
Quem pesquisa estas semelhanças, não tem permissão para negar que é comum aos diversos seguimentos religiosos, a aceitação de que todos os homens e mulheres são irmãos, pois esta é uma afirmação obrigatória para aquele que abraça a fé, até mesmo o cristianismo, onde este pensamento esteve mais fortemente acentuado em seus primeiros momentos quando religião, fazendo com que "os não cristãos" cressem que o incesto era uma prática permitida e até mesmo incentivada pelos seguidores de Yehoshua Bem Joseph (o cristo), já que era é comum os cristãos realizarem casamentos entre irmãos.
Pode parecer estranho aos olhos dos cristãos, ter um outro que levanta estas questões, mas as semelhanças não param por aí, sem nenhuma dificuldade posso relacionar várias outras similaridades, porém, mesmo contrariando um colaborador, penso que cita-las uma a uma, tornaria o texto em um cansativo glossário, que além de fugir a seu objetivo, não o enriqueceria em nada.
Por tanto, neste segundo momento, apenas abordarei o batismo, uma ordenança que para alguns cristãos é exclusividade nossa. Porém, infelizmente, para estes, por mais que relutem em aceitar uma verdade tácita, tenho que lhes dizer: "não somos os únicos a ter direitos sobre esta sagrada ordenança". Esta não é uma afirmação minha, vários autores, tais como: H. H. Rowley - O batismo de João e a seita de Qumran e A. Dupont-Sommer - O censo anual, atribuem a diversas seitas anteriores a João Batista praticas similares do batismo, onde lhes era comum a lavagem dos corpos como parte da preparação na iniciação do neófito a nova religião. Estes autores deixam claro que a prática do batismo, também, era comum às religiões que não têm o Cristo como figura central da fé. Acrescento ainda que hoje existem dezenas, e por que não dizer centenas de religiões que praticam o batismo (por imersão ou aspersão, escolha você um formato), que nem mesmo reconhecem Jesus Cristo como divindade.
Por minhas afirmações, já fui rotulado de herege e apóstata, sei que alguns cristãos têm dificuldades em aceitar que sou convicto da fé ensinada pelo cristo. Talvez até se questionem como posso alegar ser cristão e ao mesmo tempo afirmar que a doutrina da celebração de uma nova vida que ressurge "das águas do batismo", seja um patrimônio de todos os credos. Nesta forma de pensar, pode parecer que estou a negar Cristo. Porém tudo que lhes desejo afirmar é que a prática do batismo é comum a todos os seguimentos religiosos, sem com isso questionar quem é o detentor dos direitos autorais.
A origem do batismo (por imersão ou aspersão), já tirou o sono de muita gente, e é constante tema de discursão nas rodas teológicas, inclusive, o pesquisador, cristão ou não, poderá constatar que a pratica ritual do batismo (ablução), sempre esteve presente nos processos de iniciação, entre os judeus, os egípcios e os essênios, antes mesmo de João Batista implantar no cristianismo esta pratica, (vale ressaltar que consultando a Bíblia vocês irão descobrir que Jesus Cristo não batizou a ninguém).
Falar de semelhanças entre religiões é reconhecer a obrigatoriedade de retroceder no tempo, pois os paralelos são tão profundos e arraigados que somos facilmente arremetidos ao Decálogo. É logico que você sabe que estou a falar do conjunto de leis concedido a Moisés, que cruzou as linhas do tempo e da fé para além dos hebreus. Antes de continuar, preciso dizer que não duvido da origem divina dos "Dez Mandamentos", sei que foram entregues por Deus a Moisés no Monte Sinai, porém, "sou um pesquisador, e não me permito negar que estas mesmas leis já eram velhas conhecidas dos povos anteriores ao divisor do Mar Vermelho", (Código de Hamurabi - Lei das XII Tábuas - Antonio Orlando de Almeida Prado).
"O Código de Hamurabi", um conjunto de leis e regras elaboradas pelo rei de mesmo nome, que viveu aproximadamente em 1700 a.C discutiu questões similares as abordadas pelas tábuas (de pedra) da lei, falava sobre:
  1. Questões sobre falso testemunho;
  2. Roubo e receptação;
  3. Estupro;
  4. Família;
  5. Escravos; 
Negar que existem notáveis semelhanças entre o Decálogo e o Código de Hamurabi é algo que não pretendo fazer, nega-las seria muito cinismo de minha parte. Talvez, questionar por que existem tantas semelhanças, seja a atitude mais coerente, porém, a resposta deve ser cuidadosa, deve estar respaldada no conhecimento secular e teológico para que não se cometa o erro do achismo.
Uma vez que vários autores cristãos, ou não, já se manifestaram sobre este assunto, recomendo aos meus leitores que busquem outras informações, pois reconheço que o espaço por mim dedicado nesta abordagem, é pequeno e insuficiente para uma conclusão definitiva.
Ainda no contexto das semelhanças, destaco duas tentativas contrapostas de justifica-las:

1 - A primeira diz que houve um desenvolvimento independente das semelhanças, nas diferentes terras dos diferentes povos. As práticas religiosas foram surgindo espontaneamente em vários pontos eqüidistantes. As similaridades são explicadas pela "unidade psíquica" que conduz os homens a um destino comum.
Os que defendem esta teoria alegam que existe uma "convergência de idéias" apontando para uma única conclusão. Em outras palavras, eles querem dizer que o acaso, de alguma forma mística, é a explicação racional para as semelhanças. Confesso que a principio este pensamento invadiu minha mente, igual o clarão de uma lâmpada, que sendo ligada invade o quarto escuro. Talvez você conheça uma vinheta da TV Futura que diz: "Não são as respostas, mas as perguntas que movem o mundo". Acredite, esta é a verdade.
Compor um texto respaldado naquilo que penso ser a verdade, não estar sendo um trabalho simples, meu desejo é escrever algo que esteja a altura do leitor, para isso foi preciso rebuscar em obras que não compõem meu habitat natural, por essa razão cheguei até o antropólogo Celso Castro que em sua obra "Evolucionismo Cultural" reúne textos de Lewis Henry Morgan, Edward Burnett Tylor e James George Frazer, onde, aparentemente, todos obedecem a mesma ideia-chave que aponta para teorias e métodos característicos do evolucionismo cultural, me permitindo notar que as primitivas culturas, mesmo sem contato direto, foram enriquecidas pelas semelhanças em seus folclores, lendas e mitos. A teoria do "desenvolvimento independente" traz ainda a certeza de que a presença da morte e outras experiências que agitam os sentimentos do homem existem em todas as culturas, trazendo à luz do conhecimento, a certeza de que dessa crença nasceu a religião, que igual as pessoas, evoluiu..., evoluiu..., e evoluiu, até se tornar uma ciência.

2 - A segunda teoria tem por objetivo justificar as similaridades, nos fazendo crer que houve uma difusão de idéias religiosas e culturais a partir de uma única fonte. Essa teoria não nega a possibilidade do "desenvolvimento independente", mas, insiste em dizer que tal desenvolvimento não pode ser provado. Para ratificar este pensamento, seus defensores alegam as evidências históricas da difusão de idéias, que são os artesanatos e as artes. A partir deste contexto, é comum ler pesquisadores que dizem: "desde o inicio de sua história, seja ela adâmica ou evolucionista, a raça humana tem viajado exaustivamente". Em minha humilde compreensão, entendo que a ideia é afirmar que a constante mudança de lugar permitiu que a sabedoria e a habilidade do homem fosse passada de cultura a cultura, de indivíduo a indivíduo. Alguns pensam que a doutrina de difusão seja a mais adequada para explicar as semelhanças religiosas que tento abordar neste texto.

Além das fontes históricas tradicionais, também podemos recorrer à literatura Mórmon, onde em vários momentos os líderes do mormonismo dão dicas de como as semelhanças podem ser explicadas. Inclusive se a fonte de consulta for o básico manual "Princípios do Evangelho". Nele encontraremos a afirmação de que Adão foi instruído sobre regras redentoras, aprenderemos que ele foi batizado (acredito que por imersão), e que pela imposição das mãos recebeu o dom do Espírito Santo, sendo posteriormente ordenado ao Sacerdócio. Embora os registros a que tenho acesso não detalhem amiúde como este processo ocorreu, não é difícil acreditar que o pai da raça humana recebeu o conhecimento e a plenitude do Evangelho, além de todos os seus dons. Na qualidade de guardião da verdade, Adão zelosamente ensinou a doutrina a seus filhos, aos filhos de seus filhos.
Agora que assumir uma postura religiosa, é bem provável que o cético diga: "tudo bem, você explicou como Adão recebeu o sagrado, mas como este acontecimento pode ser relacionado ao sincretismo religioso?"
Quem pesquisa a história das religiões sabe que todas têm seus deuses e seus demônios, com o cristianismo não poderia ser diferente. Nós temos nosso próprio anjo negro, Satanás, um ser outrora, (Lúcifer), iluminado que em consequência de suas "escolhas errada" tornou-se o diabo.
É para este ser profano que costumamos direcionar todas as mazelas do homem, é para ele que apontamos nossas culpas, e foi ele quem usou de maquiavélica sutileza para distorcer as verdades outrora puras que foram compartilhadas por Adão. É o diabo, quem convence os fracos e os tímidos, a cederem, fazendo-os afastarem-se do caminho de luz, levando consigo pequenas partes da verdade que se tornam em retalhos de doutrina, que serão encaixados nos seus desejos, que por via de regras são teologicamente deformados.
Porém, "o momento adâmico" não foi um acontecimento isolado, a difusão da verdade e sua posterior distorção, aconteceu também no período pós-dilúvio. Noé, um homem justo, foi chamado por Deus para desenvolver um trabalho de esclarecimento espiritual. Ele ensinou o plano de salvação em toda sua extensão a uma geração. Alguns dos que ouviram sua mensagem a receberam, outros não. No entanto, mesmo aqueles que a recusaram, absorveram parte do que foi ensinado, e as utilizaram na composição de suas próprias crenças, que não passam de cópias mal feitas da verdade plena.
O assunto que desta vez resolvi abordar, é de fácil fluidez, não é difícil se alongar nele, mas, creio que já escrevi o suficiente para assimilarem o que penso sobre as semelhanças entre os vários seguimentos religiosos. Acredito que o escrito é suficiente para explicar como as verdades sagradas se espalharam por toda a terra, sendo pulverizadas em todos os seguimentos religiosos. Em resumo, penso que os fundadores das grandes religiões, até mesmo daquelas consideradas menos importantes, usaram a seu próprio critério, para elaborar suas verdades, partes de todo o conhecimento que só deveria ser encontrado na doutrina sagrada do Cristo, foi assim no passado, estar sendo assim no presente.

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