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A EXPIAÇÃO, UMA INTERPRETAÇÃO

Adelmar B. de Souza


 


 

Em 19 de fevereiro de 1982, quase exatos vinte e nove anos do dia em que escrevo este texto, visto que eu o faço no dia 18 de janeiro de 2011, um interessante discurso foi proferido por Cleon Skousen.

    Professor da BYU, funcionário aposentado do FBI e na época do discurso um palestrante.

    Este discurso, intitulado "A Expiação" é muito propagado entre diversos membros da Igreja. Alguns o têm como doutrina absoluta do Evangelho, mas lido à luz das escrituras e à luz dos próprios comentários do autor é possível tirar algumas conclusões diferentes.

    Eu poderia, como de praxe, começar minha explanação pelo início, mas preferi fazê-lo pelo fim:


 

  1. Jesus se tornou o Cristo na Cruz

    Jesus se tornou O Cristo na Cruz?

    Essa é a pergunta levantada quando lemos quase no final do discurso o seguinte parágrafo:

    "Jesus levantou a sua face e disse: 'está terminado. Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! ' e assim morreu. Naquele momento, Jesus tornou-se no Cristo."

    Vejamos bem este parágrafo, de acordo com Skousen, Jesus se tornou o Cristo no momento em que morreu na Cruz. Será que as escrituras concordam com isso? Será que o testemunho dos profetas concordam com isso? Vejamos então:

Comecemos por Apocalipse, onde é falado sobre os adoradores da Besta e onde é citado sobre o cordeiro:


"E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." (Apoc. 13:8)

    Antes de seu nascimento, foi anunciado aos pastores pelos anjos:

"Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho.

E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor.

E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:

Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor." (Lucas 2:8-11)

    Podemos ver na declaração dos anjos, que O Cristo, o Senhor havia nascido. Veja bem, que o chamado dele, seu título sagrado já lhe era imputado antes de sua crucificação, mesmo no ato de seu nascimento.

    Vejamos também o testemunho de Pedro sobre quem era Jesus antes mesmo da crucificação:

"E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." (Mateus 16: 16)

    Veja bem que Pedro declara: "Tu és o Cristo" e não "Tu serás" ou mesmo "Tu virás a te tornar", mas declara abertamente: "Tu és o Cristo".

    Se o testemunho de Pedro não é suficiente, podemos ver as próprias palavras de Jesus, que por várias vezes declarou quem era como no caso da mulher samaritana:

"A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo.

Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo." (João 4:25-26)

    Muito claro. Ele afirma ser O Cristo, vejamos que em todos os momentos que lhe foi possível, ele declarou seu chamado.

    Temos também a palavra do próprio Jesus, horas antes de sua crucificação:

"Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.

"Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu." (Mateus 26:63-64)

    Muitas pessoas não compreendem bem essa passagem, mas ao perguntar a Jesus se ele era o Cristo, Jesus respondeu ao Sumo Sacerdote: "Tu o disseste". Naquele tempo, isso era equivalente ao dizer sim. Por isso o Sumo Sacerdote rasgou suas vestes.

    Em Marcos, vemos a resposta de Cristo dada de uma maneira mais clara:

"Mas ele calou-se, e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito?"

"E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu." (Marcos 14:61-62)

    Mais claro que isso não dá para ser, veja que o próprio Jesus declara: "Eu o sou". Ele não diz: "Me tornarei", mas "Eu o sou".

    Lembremos o significado da palavra "Cristo" que vem do grego "Crhistos" que tem seu significado equivalente no hebraico: "Meshiah", "Messias" que significa "O Ungido".

    Há um trecho em Atos, que gosto muito e é quando Pedro ousadamente fala sobre Jesus Cristo e mesmo sobre sua natureza de seu chamado Pré-mortal:

"Levantaram-se os reis da terra, E os príncipes se ajuntaram a uma, Contra o Senhor e contra o seu Ungido.

Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel;

Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer."
(Atos 4:26-28)


 

    

    Lembremos que Cristo é um chamado no Sacerdócio, o mais alto abaixo somente de Deus. É um chamado do Sumo Sacerdócio e preside sobre todo o Sacerdócio na Terra e também nos céus, abaixo somente do próprio Deus.

    Vejamos novamente a frase de Skousen:

"Jesus levantou a sua face e disse: 'está terminado. Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! ' e assim morreu. Naquele momento, Jesus tornou-se no Cristo."

    Diante dessa afirmação de Skousen e da luz das escrituras expostas eu pergunto ao leitor:

    Quando Jesus se tornou o Cristo?

    Eu afirmo, diante da luz das escrituras citadas e também do meu próprio testemunho que ele sempre foi o Cristo. Escolhido e Ungido desde antes da fundação. O que ocorreu na Cruz foi à consumação de seu chamado e não sua ordenação.


 

  1. Deus está sujeito às Leis ou às Inteligências


     

Eu me preocupei muito em entrar neste tema. É algo bastante delicado, mas carece de uma observação. Continuarei, como informado abordando o discurso do fim para o início.

    Em outro parágrafo ele informa

"As inteligências do Universo, e o fato de que honram a Deus é aquilo que o torna Deus. O fato de que Ele se perde a sua confiança, Ele simplesmente cessa de ser Deus. Estas são as doutrinas básicas do evangelho restaurado, assim como Jacó 2 relata."

    Bom, se isso é verdade, então quem é o verdadeiro Deus? Pois vemos aí uma coisa muito intrigante.

Sabemos que há inteligências e que as mesmas são organizadas são organizadas em matérias refinada a qual chamamos espírito. Isso ocorre em um primeiro estado. Em seguida, esse espírito é então organizado em uma matéria um pouco mais consistente ao qual chamamos Alma.

E é declarado, nas escrituras e Skounsen em outro trecho também cita que havendo uma inteligência, sempre haverá uma maior que ela. E Deus é a maior de todas.

Também é dito que não há uma esfera onde não haja sido dada uma lei e também não há nenhuma esfera onde não haja uma inteligência. Aqui algo está claro: Há esferas de ação e dentro delas, inteligências que foram colocadas para agir dentro das leis a que essas esferas estão sujeitas.

Logo, se compreende facilmente algo: as inteligências, pequenas ou grandes, estão sujeitas às leis das esferas onde foram colocadas.

O não cumprimento de qualquer lei da esfera sob a qual a inteligência se encontra implica no cumprimento de penalidades da esfera. Ou seja, havendo uma inteligência e a mesma estando ciente das leis de sua esfera, conscientemente descumprir qualquer dessas leis, estará ela, a
inteligência, sujeita às penalidades da lei que conscientemente descumpriu. Parece redundante, e de fato o coloquei assim para frisar o que é de fato doutrina e que é apoiado de fato pelas escrituras.

Há um governo nos céus e ele é Teocrático. Algo que de fato deve ser entendido é que mesmo que os que houvessem caído fossem dois terços e não um terço, o Plano de Deus vigoraria, visto que Ele assim determinou. Uma instituição Teocrática é como uma instituição monárquica onde o soberano determina qualquer coisa e sua palavra e não o dos súditos vigora.

Sendo, portanto Teocrático este governo (A maior de todas as esferas) a não aceitação do Plano definido e do Redentor Ungido, implicou na penalidade de expulsão de todos os rebeldes e seu eterno cativeiro espiritual sem oportunidade de progresso.

Portanto, a maior de todas as inteligências também está sujeita às Leis de sua esfera. Veja que é dito nas escrituras, que Deus governa todas as inteligências e que todas estão sujeitas a ele e às Leis que ele determinou para cada esfera dessas inteligências.

Skousen diz:

"E tudo isto por desígnio! Esta era a missão de Jesus o Cristo. Ele sofreu tanto que quando ele interceder em nosso favor, por que nós fizemos o nosso melhor, através do arrependimento, que aquelas inteligências dirão: 'Bom, eles realimente não poderiam voltar, mas se tu queres! Afinal sofreste por eles, sim, eles podem entrar."

Isso não se encontra nas escrituras e não há lá nada que apóie essa afirmação, se assim for, Deus não é o governante, nem mesmo os que por ele serão designados a julgar e sim, as mais ínfimas e insignificantes inteligências.

Aqui fica a pergunta: Quem é o Deus?

    Em mais uma de suas citações, Skousen para afirmar sua posição, diz:

"Se ele não o fizesse, todas as outras inteligências lhe diriam 'Pai, agora que eles pecaram e regrediram em termos de glória, eles não podem voltar. Lembras-te de todas as leis que nos trouxeram de volta? Nós não conseguimos ser aquelas pessoas especiais, fomos graduados inferiormente! Lembras-te? Lembras-te das leis sobre as quais estavas sempre a falar? '"

    O próprio texto se contradiz. Veja que nas palavras dele as criaturas afirmam: "não conseguimos ser aquelas pessoas especiais, fomos graduados inferiores".
Ora, o próprio texto dele deixa claro que as inteligências que argumentam não progrediram e, por isso, foram graduadas inferiormente. Ora, como uma inteligência, que tendo a oportunidade de progredir não conseguiu fazê-lo, pode julgar ou sequer exigir algo? Se elas mesmo reconhecem não ter cumprido as leis das esferas sob as quais viviam como podem exigir algo da Inteligência que cumpriu todas as Leis?

    Lembremos que por revelação aprendemos que Deus é Deus por que cumpriu todas as leis das esferas sob as quais esteve até que cumpriu a maior lei da maior esfera e por isso governa todas as outras.

    Então aqui fica outra pergunta: Ao quê Deus está sujeito?
Às Leis ou às inteligências que não conseguiram cumpri-las?

    Em outro ponto ele nos diz:

"O nosso Pai Celestial diz-nos: Eu quero que saibam que ando continuamente na 'lâmina da navalha' da lei celestial como o objetivo de manter a confiança e honra de todas aquelas inteligências que confiam em mim por que essa é a fonte do meu poder."

    Nenhum homem honrado na Terra anda no fio da navalha ao cumprir as Leis, pois sabe que está protegido por elas. Como poderia estar o próprio Deus equilibrando-se sobre as leis?

    Eu poderia citar mais e declarar mais escrituras para apoiar o que estou dizendo, mas farei isso somente aos que me procurarem para falar sobre o assunto.


 

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