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MÓRMONS MAÇONS, A BEM DA ORDEM EM GERAL - PARTE II

Cesóstre Guimarães de Oliveira
cesostre@hotmail.com

Desde o momento em que a existência da Maçonaria se tornou domínio publico, nós maçons temos sido vitimas de furiosos vitupérios oriundos de pessoas embriagadas pela filha da irracionalidade, a demência. Muitas das vezes eles se confundem em suas razões, esquecendo-se até mesmo do real motivo de sua fúria. Em meio a estas tempestades comportamentais, em um passado bem longínquo, é possível que algum Maçom tenha sonhado que no futuro a intolerância a Maçonaria seria algo superado.
Hoje, passado os séculos, com a chegada do futuro, a humanidade continua envolta na irracionalidade que preconiza novas eras de intolerância, e isto tão somente só me dar a certeza de que nada mudou. Os pensadores incoerentes ainda desnivelam o fiel da balança, ainda somos obrigados a conviver com pessoas que necessitam da opinião de terceiros para ratificar suas convicções. São estes os indivíduos de quem falo quando afirmo que agem pelo impulso dos pensamentos desordenados. Estas são as pessoas que estão sempre dispostas a acreditar em qualquer bobagem que lhes seja dita, para isto importa apenas que seja feito em nome de Deus. Eles não passam de vitimas da carência de compreensão, já que nada assimilam sobre o sagrado e o belo. Estas pessoas carentes vivem a espera de alguém que lhes diga o que fazer, ou o que pensar, mesmo que as idéias e pensamentos apresentados sejam cópias mal feitas daquilo que um dia foi desvirtuado pelo catolicismo medieval, idéias maquiavélicas que um dia convenceram ao mundo de que a Maçonaria é uma entidade satânica, (...) e assim numa estranha osmose, os aprendizes da iconoclastia exercitam sua arte de desvirtuar tudo aquilo que lhes parece incompreensível.
Infelizes prisioneiros de seus mais íntimos temores. Vivem na escuridão de suas estranhas fobias, aguardando que a qualquer momento a Maçonaria assuma o controle do mundo (sic). Suas ações são dedicadas a incansáveis e inúteis vigílias, onde esperam a consumação de uma realidade só possível em alguma produção cinematográfica de Hollywood.
Fico sensibilizado com a condição de prisioneiros do medo, a que estão submetidos, aqueles a quem popularmente denominam defensores da “teoria da conspiração”. Estes seres desnutridos de coerência e razão, dificilmente serão libertos das masmorras onde se encontram aprisionados. É bem provável que permaneçam cativos de seus medos por toda uma existência, e nesta danosa condição letárgica a que estão voluntariamente submetidos, bradam suas teorias como se estas encerrassem alguma nova verdade revelada. Infelizmente, muitos são os que aderem a suas desconexas idéias, mas, o que realmente me deixa constrangido é saber que eles fazem discípulos até mesmo entre meus irmãos mórmons. Conseguem convencer não só aqueles desprovidos de profundidade doutrinária, mas, até mesmo os mais esclarecidos, e fazem isto com incompreensível facilidade.
É estranho saber que alguns Santos dos Últimos Dias são partidários das idéias anti-maçons, eles deixam até mesmo de notar que as pessoas que encabeçam o combate a Maçonaria, são os mesmos que atacam ferozmente A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Bem poucos são os que estão dispostos a aprender sobre a verdade, a grande maioria prefere dedicar sua busca nos sites e publicações que combatem a milenar fraternidade, mesmo que estes sites sejam os mesmos que acusam A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias de ser uma ferramenta de “Satanás”.
Mas, como toda regra têm suas exceções, esta também terá as suas, uma destas exceções me procurou para conversar, trata-se de uma pessoa por quem tenho grande estima, ele disse ter muitas curiosidades sobre Maçonaria, e desejava elucidá-las, queria saber se eu poderia ajudá-lo, conforme me disse sua intenção era “construir” uma opinião imparcial sobre o assunto.
Sabendo disto, mais que de imediato me dispus a ouvi-lo, eu não poderia perder esta oportunidade. Marcamos um encontro para outro dia, afinal no dia em que nos encontramos era conferência de nossa estaca, e eu não estou disposto a entrar em conflito com meus líderes, além do bom senso me dizer que este não era o local nem dia adequado para este tipo de conversa. No dia marcado e já bastante atrasado, ele chegou, e após o natural quebra gelo, eu falei a ele que gostaria de gravar nossa entrevista, contei que minha intenção era transcrever tudo para o papel, e que posteriormente iria publicar no Blog Mórmons Maçons, meio relutante (...) ele concordou, mas, não, sem antes recomendar que em nenhum momento da escrita seu nome poderia aparecer. Ele disse que temia ter suas palavras compreendidas como apologia a Maçonaria e não era este seu desejo, (eu não acreditei, penso que o medo de represália por parte de algum líder tenha sido o motivo). Por essa razão aqui o identificarei apenas como Senhor X.
Segue agora a transcrição da entrevista, que foi bem longa. Durante todo o tempo falamos sobre muitas coisas, algumas delas não tinham relação com a Maçonaria, por isso foram descartadas.

Senhor X – Dentro de alguns dias será Natal, nada mais justo então do que iniciar por ele. Eu li uma vez que o Presidente Howard W. Hunter disse:”O verdadeiro Natal acontece para aquele que adota Cristo em sua vida como força motivadora, dinâmica e vivificante”, e a Maçonaria o que diz do Natal?

Cesóstre – Alguns já sabem disto, e você saberá agora: Maçonaria não é religião. Ela não se envolve nas questões teologais, inclusive o Natal. A doutrina maçônica deixa que o Maçom resolva qualquer questão relacionada à sua fé, com a religião. Portanto se eu (quando Mórmon) te apresentar uma compreensão religiosa do Natal, esta será a mesma apresentada pelo Presidente Hunter.
Mas se esta compreensão for à luz da história, aí terei algo diferente para falar. Mas antes preciso te dizer que apoio de forma incondicional a todos os meus líderes, e que embora isto seja verdade, não posso deixar de me sentir incomodado com a atenção especial dispensada ao Natal de 25 de dezembro. Penso que todo membro da Igreja sabe, (pelo menos deveria saber), que o nascimento do Senhor Jesus Cristo ocorreu no dia 6 de abril, e por isso ser verdade, tenho muita dificuldade em assimilar o porquê da Igreja dar tanta importância ao 25 de dezembro, chegando até mudar nossa rotina diária. Essa atenção especial pode deixar na cabeça do desavisado a impressão de que o temor por represálias do catolicismo, e/ou protestantismo, conduzem a Igreja a menos valorizar o verdadeiro Natal.
Confesso que tenho dificuldade em assimilar certas coisas, por exemplo: como eu, sendo um Santo dos Últimos Dias, alguém que conhece a verdade restaurada, sabedor que Jesus Cristo nasceu no dia 6 de abril, tenha que aceitar mudar nossa rotina em função do dia 25 de dezembro, sob a falsa alegação de estar comemorando o nascimento de Jesus Cristo? Tenho aprendido através de rebuscadas pesquisas que o Senhor Jesus Cristo não poderia ter nascido no dia 25 de dezembro, e que na sua origem, esta festa de Natal nem mesmo é cristã (salve Mitra que nos deu o natal), eu pergunto: estaria a Igreja do Salvador reverenciando-O em uma data profana, que inclusive em sua origem nada tem haver com Ele?
A história é irremediavelmente convicta quando afirma que, conforme o contexto bíblico, é impossível o nascimento do Senhor Jesus Cristo ter acontecido no mês de dezembro, uma vez que os registros colocam os pastores cuidando de suas ovelhas no campo, no momento da natividade. Fato este impossível de acontecer, pois neste período do ano o inverno da Judéia (... onde cristo nasceu – Hinário SUD – nº 123) é mortalmente lacerante em função do frio.
Ninguém precisa disputar com Heródoto o título de pai da história para saber que as origens da comemoração do Natal no dia 25 de dezembro são todas pagãs. Os registros dizem que foi somente no ano 350 d.C, que esta festa (aos olhos do cristianismo) pagã, foi transformada na maior comemoração da cristandade. Os méritos desta confusão não pertencem ao menino Jesus, mas sim ao Papa Júlio I que numa brilhante estratégia de marketing político religioso enxertou esta festa pagã no mais sagrado coração do cristianismo. Esta decisão nada teve haver com o Senhor Jesus Cristo, ou sua doutrina, foi apenas uma disputa de poder entre os homens. A idéia foi apresentar aos pagãos uma nova opção religiosa, seria hoje como se alguém lhe dissesse: Agora você pode ser cristão, nós também comemoramos o dia 8 de abril (nascimento de Buda).

P.S – Não entendam os budistas, a referencia que fiz a Siddharta Gautama, como idéia pejorativa, respeito sua crença, o fiz apenas para que os cristãos entendam melhor meu pensamento.

Senhor XAlgumas pessoas dizem que existem semelhanças entre as ordenanças sagradas do Templo e os rituais da Maçonaria, procede esta informação?

Cesóstre – Sim, as semelhanças existem, mas não permita que esta informação mine sua fé. A intenção de alguns quando apontam as “semelhanças” é provar que Joseph Smith foi um charlatão, eles pensam que provando a existência destas similaridades, também podem provar que Joseph apenas copiou os rituais da Maçonaria, e com isto acreditam desacreditá-lo como profeta.
Em meu livro “Os Mórmons e a Maçonaria” eu trato de forma bem detalhada da existência destas semelhanças, como o assunto é muito extenso, não posso te explicar de forma satisfatória com apenas duas ou três palavras, meu aconselho é que leia o livro, para que possa entender todo o contexto.

Senhor XNa entrevista para receber recomendação para o Templo, é perguntado se “você participa ou estar associado a alguma organização que ensina ou pratica algo que seja contrário aos ensinamentos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias?” Como você responde a esta pergunta?

Cesóstre – Minha resposta sempre foi, e será, NÃO. Pois não existe na Maçonaria nada que contradiga a sagrada doutrina do Senhor Jesus Cristo. Pense comigo: você acha que se houvesse algo na Maçonaria que fosse contrário as doutrinas do Salvador teríamos cinco profetas iniciados, além de vários apóstolos, setentas, etc. (?)

Senhor XSempre que alguém fala de Maçonaria a história dos segredos aparecem logo atrás. Dizem que um Maçom morre antes de os revelar, eu te pergunto: que segredo é este?

Cesóstre – Você quer que eu morra? (risos).
É verdade, existe um segredo, na verdade são vários. (Parece que falar isto provocou mais curiosidade no Senhor X, ele gesticulou algo como se estivesse a dizer... Prossiga).

Vê-lo ansioso me fez pensar que eu havia entrado num beco sem saída, agora precisava encontrar uma porta para não desanima-lo.
Após pensar por alguns momentos, esperando que em meu socorro, acontecesse uma manifestação epifânica, que, lógico, não veio. Perguntei ao Senhor X se ele daria uma navalha de barbear para uma criança brincar?

Senhor XNão vejo nenhuma relação entre minha pergunta e sua resposta, mas como penso que você estar a se enrolar... Responderei. (sorriso descontraído).
Não, eu não faria isso. A pessoa que fizer isto, se é que alguém tem coragem de fazer, é extremamente irresponsável, e eu não sou.

Cesóstre – Com certeza você sabe que o Senhor Jesus Cristo, nosso maior exemplo, também guardou alguns segredos relativos sua doutrina, afinal o que eram as parábolas, se não uma forma de restringir a um determinado grupo seu ensinamento?
A explicação que encontramos nos manuais para esta prática doutrinária, é que nem todos os discípulos que o seguiam, se encontravam no mesmo nível de preparação para assimilar seus ensinamentos. Razão pela qual somente os 12 Apóstolos foram agraciados com a plenitude dos mistérios. Entenda que compartilhar certas verdades com aqueles que não estão preparados para ouvi-las, é a mesma coisa que entregar navalhas para uma criança brincar, com certeza ela sairá muito machucada. Esta é a razão pela qual somos tão sigilosos quanto a Maçonaria.

Senhor X - Então o que devo fazer para estar qualificado a saber quais os segredos da Maçonaria?

Cesóstre – Antes de tudo, você precisa provar que deseja obtê-los, precisa dar garantias de que poderá mantê-los em sigilo, então, e só então, os segredos te serão revelados... lentamente.

Senhor XQuer dizer que eu tenho que provar que mereço ser Maçom?

Cesóstre – Certamente que sim. A Maçonaria não abrirá suas portas (para um candidato) até que prove estar disposto a fazer o necessário para adquirir tesouros inimagináveis. Ninguém encontra um diamante a céu aberto (a não ser em ocasiões excepcionais), eles estão enterrados, e algumas vezes sob grandes montanhas de pedras e barro, e se você o desejar, terá que demonstrar ser merecedor. É preciso dedicar parte do tempo, dinheiro e energia para que fique provado que realmente o candidato merece o privilégio.

Chegamos ao final da entrevista, foi quando entreguei ao Senhor X uma proposta de iniciação. Não sei se ele a preencherá, mas estou contente comigo mesmo, penso que fui feliz em minhas respostas. Talvez ele nunca venha a ser iniciado, mas, agora ele sabe (pela fonte) um pouco mais sobre Maçonaria.

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