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A MAÇONARIA E O BANDO DE GADIÂNTON



Cesóstre Guimarães de Oliveira
cesostre@hotmail.com


De todas as bobagens que tenho ouvido sobre a Maçonaria, existe uma que com certa freqüência tem sido repetida por meus irmãos mórmons, e esta se destaca por sua pitoresca compreensão. Graças a um provocante e-mail que recebi, abordo este tema (ainda) inusitado para mim. Quem já leu meu livro “Os Construtores de Templos” deve lembrar que nele faço relato da experiência vivida por mim quando tomei a decisão de ser iniciado Maçom, na ocasião eu disse: “ouve uma pequena desordem no âmbito familiar, eles temiam por achar que eu estava a me unir a uma versão moderna do Bando de Gadiânton”.
Mas, em função dos esclarecimentos recebidos, e das referencias que sempre tive na Maçonaria, eu sabia não haver nenhuma relação entre as combinações secretas descritas no Livro de Mórmon e a milenar fraternidade.
Provavelmente, já neste momento do texto, aquele que não tem nenhuma intimidade com o Livro de Mórmon deve estar a se perguntar, “afinal, que Bando de Gadiânton é este do qual você fala?”
Portanto, é para estes (não esclarecidos) que explico: o Bando de Gadiânton foi formado por criminosos que viveram nas Américas no período coberto pelos escritos do Livro de Mórmon. Eles faziam parte de um grupo criminosamente organizado por um homem chamado Quiscúmen, que no alicerçamento de suas idéias maquiavélicas estabeleceu a prática de juramentos como forma da demonstração de fidelidade. Inicialmente o bando foi organizado com o único objetivo de assassinar o juiz supremo da terra dos nefitas. Com a consumação deste intento assassino, eles continuaram organizados em torno das idéias de Quiscúmen direcionando suas realizações criminosas para todo tipo de mal, inclusive e tornando-se experts na arte do terror e do engano. Conforme minha compreensão dos textos sagrados, todas as versões deste bando criminoso tem seguido exatamente os mesmos padrões estabelecidos por seus criadores.
Em análise superficial dos manuais mórmon, destaco várias características atribuídas ao grupo criminoso de Quiscúmen. Ao fazer isto, espero que meu leitor compreenda, que embora minhas interpretações estejam em harmonia com a doutrina Mórmon, estas são conclusões minhas, e não devem ser tomadas como interpretações de alguém autorizado a falar em nome da Igreja. Na verdade, apenas tento fazer uma descrição simples e superficial, meu objetivo e fazer que você assimile as razões pelas quais considero incoerente comparar o Bando de Gadiânton com a Maçonaria.
De acordo com o Livro de Mórmon os pontos que passo a destacar distanciam a Maçonaria dos grupos das combinações secretas.

a) Os objetivos das combinações secretas estão sempre relacionados com a conquista do poder e do enriquecimento ilícito.

a.1) Os objetivos da Maçonaria primam pelo bem social da humanidade, protegendo os injustiçados e punindo os tiranos, sempre pondo os interesses da coletividade acima dos interesses individuais.

b) As combinações secretas utilizam o dinheiro e a violência para atingir seus objetivos.

b.1) A Maçonaria utiliza o dinheiro para realizar ações sociais, e sempre se contrapõem ao violento tirano.

c) O sigilo absoluto é um dos princípios básicos das combinações secretas, e também uma forma de acobertar suas práticas criminosas.

c.1) O sigilo na Maçonaria visa resguarda tradições milenares e proteger o Maçom da intolerância dos ignorantes e preconceituosos.

d) As combinações secretas florescem e prosperam através do espólio e da maldade.

d.1) A Maçonaria floresce com a iniciação de homens livres e de bons costumes.

e) O diabo é a maior inspiração para as combinações secretas, e por isso essas organizações são apontadas por Deus como uma maldade "acima de toda a maldade de toda a terra."

e.1) A Maçonaria busca inspiração no belo e divino, o profano é veemente repudiado, embora não nos envolvamos nas questões religiosas, no mundo todo os cristãos maçons são maioria.

E, finalmente, ratificando tudo que já disse trago à luz do conhecimento e da verdade uma testemunha que confirmará todas as minhas palavras, o Profeta Joseph Smith Junior. Quem melhor do que ele para testificar acerca da índole pura da maçonaria? Como alguém poderá dizer, ou sequer pensar, que uma organização onde esteve abrigado Joseph Smith Junior, o Profeta de Deus, seja uma organização que busque sua inspiração no diabo?
Entendo que um não membro tenha estes lapsos, que confunda os objetivos da Maçonaria e da Igreja em relação á humanidade, mas a nós mórmons isto não é permitido, afinal, somos, ou não, os verdadeiros membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias? Absorvo da culpa, os incrédulos, inclusive quando fazem criticas a forma sigilosa em que guardamos os rituais do templo, nós sabemos de sua natureza sagrada, eles não. São eles que não entendem o porquê da realização dos rituais do Templo, é difícil para eles entender que nossos rituais não são combinações secretas. Sendo eu um membro da Igreja é muito fácil compreender que um convênio também pode ser compreendido como um juramento.
Penso que, um Mórmon tentar comparar a Maçonaria com uma combinação secreta é uma tentativa intencional de agredir o bom senso, é uma violência a verdade e a coerência. Todos podem ter acesso às informações que comprovam ser a Maçonaria estimuladora das virtudes que são antagônicas às combinações secretas.
Fico embasbacado ao notar tanta histeria manifestada de forma coletiva. Na tentativa de fazer parecer natural, alguns trapalhões tentam relacionar a Maçonaria com as combinações secretas descritas no Livro de Mórmon. Isso faz com que as palavras dos alienados, dos néscios, adubem a mente fértil dos indoutos que ávidos por acreditar em qualquer coisa, quase que imploram para serem ensinados sobre o significado das combinações secretas. Pobres almas que ainda não viram a luz, que se encontram envoltas pela escuridão de seus temores, vêem conspiração em qualquer lugar, em qualquer relação que lhes pareça fugir ao padrão estabelecido por seus pensadores.
Atribuir caráter de conspiração secreta àquilo que não compreende, é uma característica quase universal dos indoutos, dos raquíticos da fé, e do conhecimento.
Estes, de quem refiro, são os que também vêem combinações secretas nas ações dos maçons, e algumas vezes nos templos mórmons. Gostaria de me estender neste assunto, mais considero desnecessário assim proceder, pois penso ser a prolixidade um luxo que me não permito, por enquanto, dou-me por satisfeito até que a questão me seja novamente apresentada.

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