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OS MORMONS MAÇONS E O MITO DA CAVERNA

Cesóstre Guimarães de Oliveira
cesostre@hotmail.com


Já se passou muito tempo desde que decidir publicar meus pensamentos e pesquisas em um blog, a idéia inicial foi criar um espaço onde eu tivesse a oportunidade de pelo menos tentar, explicar uma relação que parece causar tanto desconforto em alguns irmãos mórmons. Valendo-me da escrita, pretendo abrir esta que considero uma verdadeira “caixa de pandora”. Poucos são os mórmons que reconhecem na Maçonaria uma cúmplice histórica da Igreja. Aqueles que negam fatos tão reais, talvez o façam por temer esta relação. Somado a este temor temos nossos líderes tratando nosso passado histórico com a milenar fraternidade com certo descaso, e algumas vezes desprezo, ao procederem assim, penso que a intenção é nos induzir a crê que tudo não passou de um acidente temporal. Ao escrever sobre este tema, não pretendo ser visto por meus irmãos mórmons como um iconoclasta irracional e cruel, minha intenção, é tão somente trazer luz e verdade a fatos históricos que se apresentam inquestionavelmente relevantes ao mormonismo.
Ao tentar conduzir uma investigação lúcida sobre o tema mórmons maçons. A partir dos manuais e outros livros oficiais da Igreja que podemos considerar públicos, descobrimos que nada, ou quase nada, aborda o tema. Os poucos registros que existem, e que podemos considerar confiáveis, (embora nenhum tenha sido escrito por brasileiros), tratam o assunto de forma tão discreta, que esta relação facilmente passará despercebida ao investigador descuidado. E mesmo assim, nestes livros e/ou manuais, a relação, sempre, é apresentada como um acontecimento sem nenhuma relevância para o mormonismo. Penso que nossos instrutores esperam que acreditemos tudo não haver passado de um incidente já a muito superado. Se você deseja verdadeiramente aprender a história, se deseja conhecer os fatos relevantes, deverá rebuscar em velhos escritos publicados nos Estados Unidos da América, o grande celeiro de conhecimento para o mormonismo.
Sem tencionar beirar a falsa modéstia, arrisco-me a dizer que antes do Blog Mórmons Maçons (www.mormonsmacons.blogspot.com), bem poucos, (talvez nenhum outro), no Brasil tenha se aventurado a tentar explicar, de forma tão cristalina, esta relação que causa um misto de vergonha, medo e dúvidas na mente de alguns desprovidos do bom senso. Apresento como rara exceção o Mórmon não Maçom, Marcelo Silva, que em seu site apologético mórmon (www.amaijc.com.br) abriu espaço para esta discussão.
Quando planejei escrever sobre este tema, principiei a fazê-lo direcionado ao publico mórmons maçons, mais á medida que escrevia, recebia e-mails de membros da Igreja não iniciados na Maçonaria, que alegavam desconhecer esta relação, juntamente a estes também passei a ser contato de alguns maçons não mórmons, além de ser contatado por pessoas não ligadas a Maçonaria nem ao mormonismo, pessoas que desejavam mais detalhes a fim de tirar suas dúvidas concernentes este assunto. Ao me escreverem, inicialmente a alegação de todos sempre foi a mesma: “a fonte oficial nunca aborda este tema, agem como que se esta relação não tenha existido”. Então impulsionado por meus leitores resolvi tornar o Blog Mórmons Maçons um local de pesquisa publica. Hoje, já passado dois anos publicando na internet, meu sentimento é de dever [quase] cumprido. Cheguei a lugares onde nunca imaginei estar, minha mensagem tem sido levada há um grande numero de pessoas, informações que por muito tempo foram tratadas com desprezo e descaso agora estão acessíveis a todos. Infelizmente, o preço pago por escrever sobre aquilo que já tirou o sono de alguns as vezes me parece alto demais, mas ninguém me disse que seria diferente, não fui iludido, fiz minhas escolhas, sei que estou certo. Antes as informações eram jogadas “embaixo do tapete”, igual a uma sujeira que se pretende esconder enquanto não se sabe o que fazer com ela.
Hoje todos os meus contatos sabem que sou um dos milhares de mórmons maçons que povoam a terra (por isso alguns me acusam de exibicionismo), mais nem sempre foi assim, durante um período de minha vida de iniciado vivi na clausura, o temor do preconceito, a insegurança em relação á reação de meus irmãos de fé quando tomassem conhecimento de minha condição de iniciado, foi um forte fator que me manteve na caverna (MAGEE, Bryan – [O Mito da Caverna] História da Filosofia, página 31). Hoje, finalmente livre, olho para o passado e vejo no presente uma estrada muito longa a ser percorrida, até que finalmente alguém possa dizer: “Estar desobstruído o livre acesso dos mórmons as suas origens maçônicas”, espero ansioso por este tempo em que não precisarei mais ouvir argumentos como o que diz: "Você é Mórmon, como pode ser Maçom?"
Ao ser questionado sobre como é ser Mórmon e Maçom confesso que algumas vezes fico em dúvida, não sei se quem pergunta pretende somente testar meus conhecimentos sobre a história e doutrinas da Igreja, ou se realmente entende haver uma proibição. Os argumentos dos contrários a Maçonaria fazem parte de minha rotina desde o dia em que publiquei o primeiro texto. Não faz muito tempo, fui procurado por uma pessoa que muito me chamou a atenção, trata-se de um amigo querido que ocupa certo cargo de proeminência na Igreja, minha surpresa ao ser procurado por ele, deve-se ao fato de que o mesmo é alguém que deveria ensinar sobre estas coisas, portanto este deveria ser um assunto de seu inteiro domínio, ele me perguntou: “Um Mórmon pode, ou não ser Maçom?” Ao me perguntar, ele argumentou que havia lido em algum lugar sobre a existência de um conflito entre a Maçonaria e a Igreja, sendo assim, como fica um membro da Igreja nesta dualidade. Esclareci ao bom homem que a dualidade não existe, Maçonaria e a Igreja não são opostos, não estão lutando por objetivos diferentes. Quanto ao conflito por ele alegado, na verdade o que existiu durante muito tempo foi uma restrição por parte da Maçonaria de Utah contra a filiação e iniciação de mórmons em suas Lojas, mas, esta restrição era local e tinha relação direta com a prática do casamento plural, a mesma foi oficialmente suspensa pela Grande Loja de Utah em 1984. Quanto a nós membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, nunca houve uma proibição respaldada em alguma doutrina da Igreja, o que existia era um sentimento de solidariedade por parte de nossos líderes aos membros da Igreja recusados pela Maçonaria, “Se os maçons [de Utah] se julgam bom demais para nós, então não os queremos também” (Brigham Young, Journal of Discourses, Vol. XI, February 10, 1867), mas os membros da Igreja sempre foram livres para escolher entre se filiar ou não a Maçonaria. A postura oficial da Igreja sempre foi pela neutralidade, já que o entendimento diz que esta decisão se trata de uma questão individual, e não doutrinária. Lógico que existem os “bem intencionados” que tentam escrever novos parágrafos nos manuais de instruções, com isto, eles tencionam dar novas interpretações a velhas escrituras do Livro de Mórmon, estes pseudos professores refletem apenas suas opiniões pessoais alicerçadas no mesmo preconceito que tanto mal causou a Igreja, não existe nenhum valor doutrinário ou normativo em suas palavras, tudo não passa de maléficos achismos.
Quando consultados sobre este tema, alguns líderes nas mais altas esferas hierárquica da Igreja têm passado a seguinte instrução:

a) A decisão de se tornar Maçom é um assunto pessoal, e como tal deverá ser tratado.

b) Um membro da Igreja deve dedicar seu tempo a Igreja, chamados, família, trabalho, estudos, etc.

c) Um membro da Igreja não deve ingressar, ou se tornar simpatizante de qualquer organização que tenha ensinamentos contrários aos ensinados por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Antes que alguém se precipite em suas conclusões, desejo que saibam: jamais um profeta se manifestou citando a Maçonaria como opositora doutrinária de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Portanto, qualquer um Mórmon Maçom digno pode tranquilamente ter uma recomendação atualizada para o templo. Ao ser entrevistado para renovar minha recomendação, quando interpelado, afirmo, a Maçonaria veio reforçar minha confiança na doutrina Mórmon, a Maçonaria ajudou-me a fortalecer meu testemunho quanto aos Santos dos Últimos Dias serem os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, já que na Maçonaria aprendi que a religião de um homem é algo sagrado, que jamais deverá ser profanado pelos sentimentos sectaristas.
A preocupação com o tempo que a Maçonaria poderá vir a requerer de um Mórmon é um equivoco, sei que vivemos em um mundo que tenta de todas as maneiras usurpar nosso tempo, nossos talentos, mais sei também que neste mundo cada vez mais competitivo e decadente, a melhor coisa que poderia acontecer no somatório das boas decisões de um Santo dos Últimos Dias, seria encontrar uma organização que ao lado da Igreja insiste em manter num elevado caráter moral os feitos dos homens.
Não posso encontrar nenhum ponto negativo nesta organização que abrigou homens tão valorosos, tais como: Joseph Smith Junior, Hyrum Smith, Brigham Young, Willard Richards, Newell K. Whitney, Heber C. Kimball, John Taylor, Parley P. Pratt, Wilford Woodruff, Lorenzo Snow, Orrin Porter Rockwell e Elijah Abel, além de vários outros no passado e presente.
Tomando o parágrafo anterior como base de pensamento, você poderá dizer: “Hoje não temos mais líderes em chamados de proeminência que sejam maçons” (...) doce engano, eles existem, e são muitos, eu conheço pessoalmente alguns, não os cito por que eles optaram pelo anonimato, e também para proteger a fé dos mais fracos.
A maçonaria é uma organização louvável, é um bom lugar para homens bons estarem. Ratifico tudo que tenho dito, e os convido a lerem comigo a 13ª Regra de Fé: “Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo: Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos”. Sei que a Maçonaria é virtuosa, caridosa, e de boa fama, sei disto por que aqui estou.

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