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A SIMBOLOGIA MAÇONICA


by Cesóstre Guimarães de Oliveira
cesostre@hotmail.com

Penso que por vivermos em um mundo competitivo, é natural aparecerem certos desafetos, com a Maçonaria não poderia ser diferente. Acredito que o preconceito formado a partir do medo, nascido na mente de indivíduos temerosos daquilo que lhes parece inexplicável. Que temem aquilo que não compreendem, seja o verdadeiro causador desta camada de nuvem negra de estigmas que paira sobre a mais antiga de todas as fraternidades, pois o homem sempre temeu o que parece inexplicável.
Talvez por fazermos uso de certos rituais em nossas reuniões, e também por mantermos um livro sagrado para a religião (uma Bíblia nos países de predominância cristã) sobre um altar, algumas pessoas confundem Maçonaria com religião, mas não é. Isso não significa que a religião não tem nenhuma importância para Maçonaria, pelo contrário, é de extrema importância que o iniciado tenha uma fé definida. Uma pessoa que deseja ser iniciado na Maçonaria regular terá que obrigatoriamente crer na existência de um ser supremo, ser este a quem genericamente a Maçonaria chama de Grande Arquiteto do Universo. Nenhum ateu jamais será aceito entre nós (Maçonaria regular). Nossas reuniões são abertas com uma oração, e todo Maçom é ensinado sobre esta necessidade. Aprendemos que sempre se deve orar ao divino e nele buscar orientação antes de começar um empreendimento importante. Mas isso não torna a Maçonaria uma "religião."
As primeiras alegações que ouvimos quando nos comparam a uma religião, é que chamamos a nossos locais de reuniões de templos. Mas quando assim denominamos a estes locais, fazemos no mesmo sentido que foi utilizado pela Juíza Ângela Prudente, quando da inauguração do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins ela denominou aquela casa como "Templo da Justiça". Outro motivo que nos leva a chamar nossas Lojas, templos, é a referência simbólica que fazemos ao Templo de Salomão. Nem Maçonaria nem o Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins tornam-se uma religião somente por que as pessoas que lá se reúnem denominam a estes locais como “templo”.
Nós maçons acreditamos na importância da religiosidade. Maçonaria encoraja a todo Maçom, ser atuante em seu próprio contexto religioso. Maçonaria ensina que, sem a crença no Grande Arquiteto do Universo, um homem está só e perdido, e que sem esta crença, ele nunca alcançará seu pleno potencial.
Mas a Maçonaria não dita a uma pessoa que religião ele deverá seguir ou como ele deverá exercer sua fé. Isso é algo que deverá ser definido entre o indivíduo e o Grande Arquiteto do Universo. Essa é uma função de sua religião e não da Maçonaria. Aqueles que tentam impor a Maçonaria a condição de religião, algumas vezes me questionam: “Se Maçonaria não é religião, por que usa ritual?”.
Considero coerente quando algumas pessoas associam ritual a religião, mas esta associação não deve ser genérica, uma vez que são utilizados rituais em vários aspectos da vida, estes rituais são tão repetidos em nosso cotidiano que às vezes nos passam despercebidos. Um ritual é somente um meio encontrado para que alguma coisa seja feita de uma mesma forma. Na verdade a intenção é a padronização da rotina a ser seguida.
Tomando como exemplo as reuniões de pais e mestres nas escolas, observei que elas iniciam com o diretor ou alguma outra pessoa chamando a atenção do grupo. Então o grupo é levado a seguir um ritual simbólico de submissão, onde a pessoa que fala é centro das atenções. Ainda hoje perdura a tradição e a rotina em certos Colégios Militares, antes do inicio das aulas os alunos perfilados cantam o hino nacional e da bandeira. Isso é um ritual.
Quase toda reunião empresarial tem uma leitura da ata da última reunião. Isso é um ritual.
Existem muitos rituais sociais que são praticados em nosso dia-a-dia, damos um aperto de mão para selar um acordo. Para comprar ingressos no cinema esperamos na fila e não empurramos aqueles que estão a nossa frente. Existem centenas de exemplos que literalmente são rituais.
Maçonaria faz uso de um ritual porque é um modo eficiente de ensinar uma idéia importante. Os rituais que praticamos nos lembram quem somos, e onde estamos, da mesma maneira que o ritual de uma reunião empresarial lembra as pessoas onde elas estão e o que estão fazendo.
O ritual maçônico é muito rico porque é extremamente antigo. Foi desenvolvido durante as eras do tempo para conter e expressar idéias através dos símbolos. Volto a afirmar, não existe nada de anormal em fazer uso de rituais. Todos nós fazemos isto diariamente.
Outra questão, que constantemente é levantada pelos opositores da Maçonaria é o uso freqüente que fazemos dos símbolos. Mais uma vez recorrerei ao cotidiano para demonstrar que esta prática é comum a todos, não somente a nós maçons. Nossos símbolos e sinais facilitam nossa comunicação. Quando nos encontramos em um determinado local de transito e observamos um semáforo vermelho, sabemos o que significa, não é necessário ler a palavra "pare." Na realidade, usamos os símbolos provavelmente por que é o modo mais antigo de comunicação e a melhor maneira de ensinar algo.
A Maçonaria usa símbolos pela mesma razão. O "Esquadro e o Compasso" são símbolos amplamente usados e conhecidos da Maçonaria. De certo modo, estes símbolos são um tipo de marca registrada para a fraternidade tal como os "arcos dourados" são para McDonald. Quando alguém observa um Esquadro e um Compasso em um edifício, automaticamente entende que de algum modo um maçom ali se fez ou faz presente. Outra coisa que posso dizer sobre a simbologia maçônica é que o Esquadro simboliza as coisas da terra, e também simboliza honra, integridade, veracidade, e as outras maneiras pelas quais nós devemos nos relacionar com as pessoas deste mundo. O Compasso simboliza as coisas do espírito, e a importância de uma vida espiritual bem-desenvolvida, e também a importância do autocontrole. O G representa Geometria, a ciência que os antigos acreditavam revelar a glória do Grande Arquiteto do Universo e os trabalhos dele nos céus, e também representa Deus (no cristianismo) Que deve estar no centro de todos nossos pensamentos e de todos nossos esforços.
Os significados da maioria dos outros símbolos maçônicos são óbvios, se o curioso ficar atento descobrira que todos fazem parte do cotidiano da humanidade... O martelo ensina a importância do autocontrole e autodisciplina. A ampulheta nos ensina que o tempo sempre está passando, e que sempre estamos a tomar decisões importantes, que podem mudar nossos destinos e de outros.
Existe uma grande controvérsia por parte dos não iniciados sobre os símbolos usados por nós (maçons) em nosso dia-a-dia. Algumas pessoas conseguem ver o mal em tudo que se relaciona a Maçonaria, somos vitimas de escritores não iniciados que no afã da fama, ou do zelo exagerado, durante décadas tem atribuído significados completamente estranhos a nossa realidade, é bem verdade que a maioria destes escritores está de algum modo ligado a uma denominação religiosa. Contudo a interpretação destes símbolos a partir da compreensão destes pseudos pesquisadores não tem nenhum vinculo com o real. Ao longo da história temos presenciado diversas interpretações daquilo que “parece” ter sido dito por algum maçom que não sobe se expressar, e a partir daí as interpretações desvirtuadas surgem para atender as necessidades destes que denominam a si próprios buscadores de conhecimentos.
Para entender os significados de nossos símbolos, necessariamente precisamos compreender que o simbolismo maçônico não representa uma única idéia, com um único e inequívoco significado. Na verdade, os símbolos são compostos de três formas a serem entendidas. É correto dizer que estas formas estão bem próximas, mas também sendo coerentes devemos entender que estas formas têm significados diferentes.
A forma que menos aceito é a chamada interpretação pelo "simbolismo pessoal" no qual a interpretação tem sua origem a partir da compreensão de cada pessoa. É desta fonte que tem surgido aquilo que denomino de “lixo”, pois esta é a maior fonte de fantasia que tem cercado os símbolos maçônicos. Baseado neste contexto qualquer pessoa pode atribuir qualquer interpretação a qualquer símbolo, e infelizmente, muitos escritores maçônicos tem enveredado por este caminho.
Em contraste a esta forma, temos a interpretação simbólica que denomino de verdadeiro "simbolismo maçônico", esta é a mais aceitável de todas, é nesta forma de interpretação que símbolos específicos são explicados por autoridades maçônicas respaldadas principalmente em nossas tradições e rituais.
A última forma, esta que denomino de "simbolismo comparativo" onde a simbologia é comparada aos princípios de uma ou várias religiões que o pesquisador estar a estudar no momento, e a partir daí, passa a comparar levando em conta as semelhanças e diferenças, usando como fiel sua compreensão das coisas. Note-se que esta forma de interpretação é muito similar a forma do “simbolismo pessoal”. Considero esta a mais perniciosa de todas, ela é comumente utilizada pelos escritores religiosos (principalmente protestantes) que utilizando dos artifícios da escrita fazem constantes comparações para associar Maçonaria ao maléfico.
Alguns religiosos cristãos investidos de intolerância por vezes têm acusado a Maçonaria de excluir Jesus Cristo de nosso contexto. Isto surge por falta de compreensão de regras específicas da Maçonaria, pois todo Maçom sabe que em respeito à diversificação religiosa em nosso seio, é terminantemente proibido as discussões sectárias, portanto nomes como Jesus Cristo, Maomé, Buda, etc., ou ainda temas partidários políticos estão excluídos de nossos trabalhos quando tratados como únicos detentores de uma verdade. Penso que as discussões ideológicas, sejam elas religiosas, partidárias ou quaisquer outras; são temas semelhantes a um jogo mundialmente conhecido como “jogo da velha” neste jogo não existe um ganhador, e após horas brincando se descobre que ambos perderam seu tempo. Assim são as discussões sectaristas, ao final de horas de discussão, conclui-se que tudo aponta para uma única direção, à dissensão e a divisão. E contra estas coisas todo maçom deve ser contrário. Devemos entender que na visão maçônica todo iniciado é um irmão, isto no sentido literal da palavra.
Os intolerantes alegam que raramente um maçom se refere a Deus ou Jesus Cristo, digo a estes que deveriam buscar aprender mais sobre nosso contexto antes de falarem tais coisas. A Maçonaria adotou ao longo dos séculos a expressão “Grande Arquiteto do Universo” em respeito à diversificação religiosa existente no mundo, não é segredo para ninguém que as religiões existentes estão em constante digladio, onde cada uma reclama para si o privilégio de estar certa, então nada mais justo e perfeito do que usar uma nomenclatura que sendo usada uma única vez faça referencia a todos os seguimentos religiosos, sem trazer para dentro da Maçonaria as disputas religiosas externas.
Religiosos cristãos alegam que um Maçom a fazer suas orações deveria voltar seus pensamentos inteiramente ao nome de Jesus Cristo. Os que a isto reclamam, deixam claras provas de seu desconhecimento do contexto maçom, não sabem eles que nenhum cristão maçom ou qualquer que seja o seguimento religioso está proibido por nossas leis de fazer suas orações direcionadas aquele a quem sua fé reclama como verdadeiro. A oração feita dentro da Loja é realizada de uma forma que respeite a todos os seguimentos religiosos que estão presentes. Porém nada impede um Maçom (de forma individual) acrescentar mentalmente a oração o nome de Jesus Cristo.
A Maçonaria não desdenha das religiões. Não exclui Jesus Cristo de seu contexto. Nós maçons nos reunimos sem propósitos religiosos, sendo assim, qualquer menção sectária seria imprópria para o momento.
Nenhum Maçom estar impedido por nossas leis de seguir a doutrinas religiosas que sua consciência ditar, porém, é uma reivindicação nossa que todo iniciado deva acima de tudo colocar sua submissão ao Grande Arquiteto do Universo que é Deus, a família e por último a Fraternidade maçônica.

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