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MAÇONARIA, PRECONCEITOS E INTOLERANCIA - PARTE I

Ao longo das eras do tempo a Maçonaria tem acolhido homens de todas as convicções religiosas. Impondo como a maior de todas as exigências para se tornar um maçom, a crença na existência do Arquiteto Supremo e na imortalidade da alma. Esta crença nós adotamos como o sinal externo e visível de uma graça interior e espiritual. E é dentro desta construção moral interna que a Maçonaria trabalha para fazer tornar os homens bons em homens melhores, construindo dentro de cada Irmão da Arte um templo de virtudes e realizações éticas.
Infelizmente, nossos propósitos são questionados pelos desinformados. Eles não vêem que nós maçons somos homens voltados à religião, somos homens invariáveis que compreendemos em sua verdadeira essência os preceitos da fé e diariamente em nossas metas filantrópicas vamos além do descanso, entendemos que a filantropia tem pressa e não pode esperar. Trabalhamos dentro de suas igrejas e nas suas comunidades para a melhoria dos membros da raça humana. Na realidade, nós maçons ultrapassamos as barreiras do sectarismo, superamos a intolerância religiosa, abrimos mãos dos dogmas irracionais que limitam os homens afastando-os do Grande Arquiteto do Universo. Posso assim dizer: Atingimos o ápice almejado por todos aqueles que sonham com uma fraternidade onde a pessoa é mais valorizada que suas idéias. A nós não interessa qual sua ideologia religiosa, exigimos sim, a crença no Grande Criador, não questionamos sua ideologia político partidária, enquanto ela respeite o livre arbítrio, que é considerado um dom divino para todas as religiões. A constituição de Anderson (que são conjuntos de regras aceitas pela Maçonaria Universal Regular) é bem clara quando diz: "Um maçom é obrigado a obedecer à lei moral; e se ele bem entender da arte, jamais será um estúpido ateu nem um libertino irreligioso".
Respeitamos todas as religiões, entendemos que o homem é livre para adorar ao Grande Arquiteto do Universo, na forma, quando e onde quiser. Aceitamos em nossos templos todos os livros sagrados conforme seja a religião do iniciado, não importa se este livro é a Bíblia, Livro de Mórmon, Talmude, Alcorão, ou qualquer outro dos Grandes Livros da Fé. Entendemos que o livre arbítrio é um dom concedido pelo Grande Arquiteto do Universo (Deus), e como tal deve ser respeitado. A Maçonaria sempre dará boas-vindas a todos os homens livres e de bons costumes, não importa se são eles cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, etc. Não estamos preocupados em saber a qual religião professa fé, a nós importa que verdadeiramente aspirem viver os padrões de respeito à liberdade, igualdade e fraternidade.
A Maçonaria é universal por extensão de seus iniciados. É inclusiva dos bons costumes dentro da sociedade. Ela é provedora de uma filosofia e uma Fraternidade onde os homens bons podem se encontrar em um mesmo nível. Ela une todos os homens em um laço místico de fraternidade sincera, amor mútuo, fé, trabalho, e estes estão em todos os lugares unidos como construtores que trabalham por paz e harmonia, tendo como metas honrar o Criador. Este é o objetivo da Maçonaria. Obviamente, estes objetivos só complementam, e em nenhum momento contradizem as convicções religiosas sãs.
Embora seja comum observar alguns líderes religiosos manifestarem publicamente sua objeção a maçonaria, proibindo ou desencorajando os membros de suas respectivas Igrejas de se associarem a ela, para surpresa de alguns, o seguimento cristão com uma história mais longa e publica de objeção à Maçonaria tem sido a Igreja Católica. As restrições apresentadas pelo catolicismo incluem alegações de que a Maçonaria ensina uma religião de deismo naturalista que segundo os teólogos do catolicismo, conflita com suas doutrinas. Vários pronunciamentos oriundos dos Papas tem sido emitidos contra Maçonaria. O primeiro Papa a se manifestar abertamente contra a ordem foi Clemente XII, com sua Bula Papal datada de 28 de abril de 1738, que foi seguido com um novo pronunciamento feito por pelo Papa Leão XIII, que se manifestou em 15 de outubro de 1890. Em 1917 o Código de Direito Canônico declarou explicitamente que a ligação de um católico com a Maçonaria seria motivo suficiente para excomunhão. O mesmo código tornou proibido aos católicos, à leitura de qualquer livro que defendesse a Maçonaria.
Em 1983, a igreja católica novamente se manifestou. Desta feita, ao contrário do anterior, a maçonaria não foi nomeada de forma explicita entre as sociedades secretas que a igreja condena. Ficou dito apenas que: "Uma pessoa que se une a uma associação que delineia contra a Igreja será castigada com uma penalidade justa, alguém que promova ou participe de forma pública em tal associação será castigado com interdição." Esta aparente mudança de pensamento em parte foi motivada pela presença de proeminentes Maçons dentro da liderança da Igreja Católica.
Porém, o assunto foi novamente abordado de forma preconceituosa pelo Cardeal Joseph Ratzinger (que posteriormente veio a se tornar o Papa Bento XVI), ele declarou que: O julgamento negativo da Igreja com respeito à associação maçônica continua inalterado, já que os princípios maçônicos (segundo ele) são considerados irreconciliáveis com a doutrina da igreja católica, e então a associação com eles permanece proibida. O católico que se filia a esta organização está em sério estado de pecado e não deverá receber a “Sagrada Comunhão”. Sendo assim, da perspectiva católica, ainda existe restrições aos seus fiéis que se juntam a Maçonaria. Por sua vez a Maçonaria nunca contestou a participação de maçons no catolicismo. A única fala pronunciada pela GLUI (Grande Loja Unida da Inglaterra) e ratificada pela maçonaria espalhada pelo mundo, nega às afirmações do catolicismo dizendo (e é verdade) "Maçonaria não é religião, nem tem pretensões de substituí-las". Em contraste com as alegações católicas que nos acusam de racionalismo e naturalismo, as objeções protestantes estão voltadas as acusações de misticismo, ocultismo, e satanismo.
O pesquisador maçom Albert Pike é citado freqüentemente por anti-maçons protestantes como uma autoridade maçônica nestes assuntos. Porém, Pike, embora indubitavelmente instruído, não era um porta-voz da Maçonaria, uma vez que ele era controverso até mesmo entre os Maçons. O que ele escreveu só representa sua opinião pessoal e, além disso, é uma opinião fundamentada nas atitudes e compreensões da Maçonaria Sulista dos E.U.A do século XIX. Na verdade suas idéias estão coadunadas com os pensamentos de sua própria Loja Principal. Ninguém nunca falou por toda a Maçonaria, somos homens livres e de bons costumes, e como tais agimos. A liberdade de expressão é parte de nosso patrimônio.


Cesóstre Guimarães de Oliveira


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